DF lidera uso de cigarro eletrônico entre adolescentes no país
Capital também tem segunda maior proporção de jovens que já provaram narguilé; dados são do IBGE. Médicos afirmam que uso dos dispositivos provoca dependência, assim como cigarro tradicional.
O Distrito Federal lidera o ranking nacional na proporção de adolescentes, entre 13 e 17 anos, que já usaram cigarro eletrônico. Segundo os dados, 30,8% já experimentaram o produto, proibido pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Quanto ao narguilé, 50,6% dos jovens de 13 a 17 anos disseram já ter usado. É o segundo maior índice do país.
Os dados são da Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE), realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) com dados de 2019, e divulgada no ano passado. O levantamento aponta para uma preocupação crescente de especialistas: a popularidade do “vape” e do narguilé entre os jovens.
Segundo médicos ouvidos pelo g1, os produtos causam dependência assim como o cigarro comum, e podem ter feitos ainda mais nocivos à saúde dos adolescentes.
Cigarros eletrônicos
Cigarros eletrônicos apreendidos pela Receita Federal — Foto: Receita Federal/Divulgação
Os especialistas afirmam que muitas pessoas, inclusive aquelas que buscam se livrar do vício pelo cigarro, recorrem ao “vape” e ao narguilé por acreditarem que eles são menos prejudiciais à saúde ou não viciam como o convencional.
Por isso, viraram os favoritos do público mais jovem e são usados livremente em bares e festas. A psicóloga e especialista em dependência química Karla Sindeaux explica que a principal diferença entre o cigarro convencional e o eletrônico é a forma como o organismo assimila as substâncias presentes, principalmente a nicotina.
“No ‘vape’, as substâncias são diluídas em um líquido e passam pelo processo de vaporização, no qual o usuário inala esse vapor. Já o cigarro comum funciona por meio da combustão das substâncias químicas presentes em sua composição. Nesse caso, o fumante inala a fumaça, levando os componentes do cigarro para a corrente sanguínea”, diz.
O comércio dos cigarros eletrônicos no Brasil é vedado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Uma resolução de 2009 “proíbe a comercialização, a importação e a propaganda de quaisquer dispositivos eletrônicos para fumar, conhecidos como cigarro eletrônico”. Mesmo assim, o produto é encontrado facilmente em lojas, e nas ruas.
Segundo o Instituto Nacional de Câncer José Alencar Gomes da Silva (INCA), os Dispositivos Eletrônicos para Fumar (DEFs) não são seguros e possuem substâncias tóxicas além da nicotina. Sendo assim, podem causar diversas doenças respiratórias, doenças cardiovasculares, dermatite e levar ao câncer.
Já a Associação Brasileira de Estudos do Álcool e outras Drogas (Abead) alerta que “cigarros eletrônicos aumentam em mais de quatro vezes o risco de [a pessoa] virar um fumante habitual”. Karla Sindeaux afirma que, por não haver regulamentação, não há garantia sobre os componentes dos “vapes”.
”O eletrônico é composto basicamente por propilenoglicol, nicotina e aromas. Porém, por ser uma droga nova, ainda não regulamentada, não há garantia das substâncias presentes, pois não há padronização. Alguns podem ser vendidos sem a nicotina, substância que causa dependência química, mas isso não significa que não existe toxicidade no consumo”, completa.
Raio-x do cigarro eletrônico no Brasil — Foto: Juan Silva/g1
Karla diz que não há nenhuma comprovação científica que sinalize a possibilidade de o cigarro eletrônico ser usado como estratégia para tratamento de dependência da nicotina. Ela destaca que usar o cigarro eletrônico como forma de eliminar o uso do comum não é um método eficaz, porque também é tóxico.
”Além disso, gera uma falsa sensação de que não é tão prejudicial como o cigarro comum podendo aumentar o desejo pelo eletrônico”, completa a especialista.
O pneumologista Thiago Fuscaldi ressalta a mesma posição. ”Não é indicado o uso desses dispositivos para quem pretende parar. Além das substâncias [tóxicas], o hábito de levar o dispositivo até a boca é algo que também vicia”, completa.
Os especialistas destacam que o mais indicado é ter um acompanhamento para fazer o “desmame”, ou seja para perder o hábito de usar os dispositivos aos poucos.
Narguilé
Bocal e frasco de narguilé — Foto: Jan Krömer/CC
Quanto ao narguilé, Thiago Fuscaldi afirma que a quantidade de nicotina e outras sustâncias nocivas à saúde é maior até que no cigarro convencional.
”No narguilé, tem mais fumaça, não tem filtro. Além disso, as pessoas costumam usar por um longo período. É extremamente nocivo para a saúde, tem mais nicotina e outras substâncias psicoativas, que têm o poder de modificar o funcionamento do sistema nervoso central”, explica.
Segundo o especialista, estudos associam o uso de narguilé ao desenvolvimento de câncer de pulmão, doenças respiratórias, doença periodontal (da gengiva), além de expor os usuários a nicotina em concentração alta, e que pode causar dependência.
“Por tempo de uso, a quantidade de nicotina e de substâncias nocivas é maior do que no cigarro. Mesmo tendo um uso esporádico, conseguimos ver reflexos grandes na saúde de quem usa esse dispositivo”, completa Thiago.
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