Comissão debate, em audiência pública, proposta de privatização da Rodoviária do Plano Piloto

Comissão debate, em audiência pública, proposta de privatização da Rodoviária do Plano Piloto

A Comissão de Fiscalização, Governança, Transparência e Controle da Câmara Legislativa debateu, em audiência pública na tarde desta segunda-feira (26), no plenário, a proposta de privatização da gestão da Rodoviária do Plano Piloto e da Galeria dos Estados, prevista no Projeto de Lei 2.260/2021, do Executivo.

4050136c d3f9 b724 8e87 096367d89dbf?t=1687811032232A presidente da comissão, deputada Paula Belmonte (Cidadania), considerou que a matéria é de “grande relevância social” devido ao impacto na vida dos usuários, sobretudo dos comerciantes que estão há anos no local. Ela destacou que a Parceria Público Privada (PPP) prevê a concessão de todo o complexo da Rodoviária e da Galeria dos Estados, e áreas adjacentes, pelo prazo de vinte anos, a empresas concessionárias. Acrescentou que a empresa vencedora será obrigada a investir R$120 milhões na recuperação, reforma, modernização e manutenção do local e seus serviços. Belmonte enfatizou a necessidade de discussão da proposta com a sociedade, para que o processo transcorra com legalidade e transparência.

Nesse sentido, a parlamentar expôs diversos questionamentos acerca do projeto, que vão desde aspectos pontuais, como custos, serviços, usos pelos permissionários, taxas de ocupação, até questões mais amplas, que envolvem estrutura e tombamento da área.

Convocação

Ao lamentar a ausência de representantes do Executivo no evento desta tarde, Belmonte disse que irá apresentar, na próxima reunião do colegiado, requerimento de convocação do secretário de Transporte e Mobilidade do DF (Semob), Flávio Murilo Gonçalves Oliveira, para prestar esclarecimentos sobre o projeto. “Queremos defender um bem do DF”, reforçou a distrital.

“Sem entendimento entre permissionários e governo, sou contra o projeto”, anunciou o vice-presidente da comissão, deputado Ricardo Vale (PT), que também é vice-presidente da CLDF. “Contem conosco, não vamos permitir que vocês sejam enganados”, garantiu.

Repudiou a ausência de representantes do GDF para dialogar com o colegiado e com os participantes da audiência o deputado Fábio Felix (PSOL). Ele também criticou a falta de transparência com relação à proposta, ao dimensionar a importância da Rodoviária.

Participação popular

Em linha tangente, o deputado Max Maciel (PSOL) discorreu sobre a relevância da Rodoviária: “Não é apenas um lugar onde as pessoas embarcam e desembarcam, mas também onde as pessoas buscam serviços inexistentes nos seus territórios, podem se alimentar de forma mais barata e transitar livremente”. Para Max, “privatizar esse espaço é excluir o povo desse espaço”. O deputado, que é integrante da comissão, quer transparência e participação popular no processo.

c92ec071 e931 01ea aba8 d9a82c3c7a96?t=1687811032917“O que vão fazer conosco?”, indagou a presidente da Associação dos Usuários e Pioneiros da Rodoviária, Maria de Jesus Miranda, ao protestar contra a falta de diálogo entre o governo e os permissionários. Também clamou por participação social no projeto o presidente da Associação de Lojistas da Galeria dos Estados, Laercio Moura Júnior. “Qual a justificativa para colocar a Galeria nesse projeto?”, questionou. Ele teme que, caso a concessão ocorra, o comércio de pequenos empreendedores seja substituído por empresas de grande porte.

5fc50179 68c7 f807 6524 6073a5bc95e7?t=1687811031902“Somos trabalhadores lutando por dignidade”, disse Cida Ribeiro, diretora da Associação da Rodoviária. No local há mais de vinte anos, ela contou que criou seus três filhos com o sustento obtido na Rodoviária, por onde circulam cerca de 800 mil usuários, 180 ambulantes e há 149 permissionários.

Segurança jurídica

De acordo com o assessor da Procuradoria-Geral do Ministério Público de Contas do DF, Guilherme Fernandes Silva, o órgão não avalia o mérito da conveniência da Semob em fazer ou não a concessão dos espaços, mas sim aspectos do projeto, como legalidade e viabilidade econômica. Nesse viés, os pontos que envolvem os atuais permissionários dos espaços precisam estar “bem detalhados no edital” a fim de garantir-lhes segurança jurídica, caso a concessão ocorra de fato, considerou.

631a620e 2d37 d9ad 16a6 6a8388442782?t=1687811031747Em sua análise preliminar do projeto, Silva também notou outros itens que precisam ser estruturados no estudo de viabilidade financeira, como a questão do estacionamento e dos serviços públicos existentes no local.

Apreensão

Durante o evento, Belmonte apresentou um vídeo com depoimentos de trabalhadores informais, ambulantes, empreendedores e frequentadores da rodoviária, que revelaram apreensão e insegurança quanto ao futuro do local. Endossaram esse posicionamento diversos participantes da audiência, que questionaram o mérito do projeto, a exemplo de Thiago Ávila, que se disse defensor dos direitos humanos das famílias dos ambulantes. “Esse projeto é antipovo”, criticou.

Protestou contra o tratamento dispensado aos camelôs da rodoviária Claudiane Nazaré, no espaço há sete anos. Outros segmentos também se pronunciaram, como o comerciante do ramo de alimentos da Rodoviária, Delvani Almeida. “A Rodoviária é um ponto de convergência social, onde as pessoas conseguem comer com R$ 4”, disse, ao pedir que o governo trate os trabalhadores de forma respeitosa. Dignidade e respeito foram os pleitos de vários manifestantes do evento, transmitido ao vivo pela TV Distrital e YouTube, com tradução simultânea em Libras.

Franci Moraes – Agência CLDF

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