Pesquisas do DF sobre transplantes serão apresentadas em congressos

Pesquisas do DF sobre transplantes serão apresentadas em congressos

Projetos foram desenvolvidos em curso de pós-graduação executado em parceria com a Escola Superior de Ciências da Saúde ( SES-DF); eventos ocorrem entre os dias 27 e 30 deste mês, em Florianópolis

Catarina Loiola, da Agência Brasília | Edição: Carolina Lobo

A primeira turma da pós-graduação em Gestão do Sistema Brasileiro de Transplantes de Órgãos e Tecidos concluiu com sucesso suas atividades. Iniciado em 2021 com 40 alunos e finalizado neste ano, o curso conferiu o título de especialista a profissionais das regiões Centro-Oeste e Norte do país, incluindo servidores do Ministério da Saúde. A especialização foi concebida pela Central de Transplantes do Distrito Federal (CET-DF) e executada em parceria com a Escola Superior de Ciências da Saúde (ESCS), da Secretaria de Saúde (SES-DF).

Como trabalhos de conclusão do curso, foram elaborados projetos aplicativos, dos quais 13 foram selecionados para participar do XVIII Congresso Brasileiro de Transplantes e do XXI Congresso Luso Brasileiro de Transplantes. Os dois eventos vão ocorrer conjuntamente, entre os dias 27 e 30 deste mês, em Florianópolis (SC).

Os projetos abordam temas como diagnósticos de enfermagem para a área de transplante de medula óssea, elaboração de plano estadual de transplantes, propostas de melhoria para a gestão de serviços, avaliação do serviço de banco de olhos pelo familiar do doador de córneas e adoção de sistema informatizado para gestão, entre outros.

Pioneiro no país por ter como foco a gestão do sistema, o curso está estruturado em seis módulos, que conduzem os alunos ao compreendimento do tripé doação, captação e transplantes, nas esferas federal, estaduais e municipais. “Os estudos tiveram como foco modelos e ferramentas de gestão, planejamento estratégico, mapeamento de cenários, gestão de projetos, mecanismos de controle e mais”, informa o coordenador e autor do curso, Anderson Galante, que é servidor na CET-DF.

“Todos esses esforços são para qualificar os profissionais no campo da gestão em transplantes e potencializar os resultados”, explica Galante, que também coordena um grupo de pesquisa focado no processo de doação, captação e transplantes de órgãos e tecidos, do qual participam pesquisadores de diversas instituições de ensino e alunos da ESCS.

Próxima turma

A segunda turma da pós-graduação terá 20 vagas destinadas a profissionais da Comissão Intra-Hospitalar de Doação de Órgãos e Tecidos para Transplantes no Distrito Federal (Cihdott-DF) e a servidores da Central de Transplantes do DF. O edital será disponibilizado em breve no site da Fundação de Ensino e Pesquisa em Ciências da Saúde (Fepecs), na aba Processo Seletivo. O curso está previsto para iniciar em outubro e será oferecido na modalidade online síncrono – que ocorre em tempo real.

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Nos últimos quatro anos, foram realizados 2.391 procedimentos no DF, considerando a rede pública e privada de saúde | Foto: Davidyson Damasceno/IgesDF

A coordenadora da Central Estadual de Transplantes do Pará, Ierecê Miranda, apresentará um dos projetos selecionados. Trata-se de uma proposta de elaboração do plano estadual de doação e transplante daquele estado. “Apesar de já termos implantado o programa de transplante há 23 anos, ainda não temos esse direcionamento estadual, que é fundamental para consolidar, assegurar e fortalecer as políticas dentro dessa temática”, pontua.

“A pós-graduação nos ajudou a entender muitas das ferramentas de gestão que já ouvíamos falar, permitindo que a gente pudesse organizar melhor o sistema e entender por onde começar o plano estadual”, acrescenta Ierecê.

Outra participante da pós-graduação que teve o projeto de conclusão selecionado para os congressos foi a enfermeira clínica Ludmyla Andrade, que trabalha na Cihdott do Hospital Sírio Libanês. O trabalho analisa a inclusão de diagnósticos de enfermagem na sistematização de assistência a pacientes de transplante de células-tronco hematopoiéticas (CTH) –  que possuem a capacidade de se autorrenovar e se diferenciar em células especializadas do tecido sanguíneo e do sistema imune.

“São diagnósticos que o enfermeiro pode fazer ao atender o paciente para a melhoria da assistência prestada, em casos como ansiedade relacionada à morte, nutrição desequilibrada, diarreia, fadiga e padrão do sono prejudicado”, explica. Ludmyla também afirma que, além de aprimorar o setor de transplantes do DF, a especialização a ajudou a alcançar um novo cargo profissional. Antes de ser enfermeira clínica, ela era da assistência direta.

Números

Conforme dados do portal InfoSaúde-DF, foram realizados 2.391 procedimentos no DF nos últimos quatro anos – de 2020 a 2023 –, considerando a rede pública e privada de saúde. No período, houve 1.057 transplantes de córnea, 529 de medula óssea, 371 de fígado, 337 de rim e 97 de coração.

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Alvaro Maciel

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