Delegação do Ministério da Saúde visita Hran

Delegação do Ministério da Saúde visita Hran

O ministro substituto da Saúde, Swedenberger Barbosa, visitou a unidade para conhecer de perto o trabalho sobre fissuras labiopalatais e iniciar o processo de habilitação do hospital como referência nacional para o tratamento dessa condição

Agência Brasília* | Edição: Saulo Moreno

O ministro substituto da Saúde, Swedenberger Barbosa, visitou nesta segunda-feira (18) a unidade de referência da Região Centro-Oeste em fissuras labiopalatais no Hospital Regional da Asa Norte (Hran). O propósito foi conhecer de perto o trabalho desempenhado pela equipe e iniciar o processo de habilitação do hospital como referência nacional para o tratamento dessa condição.

O Serviço Multidisciplinar de Atendimento aos Fissurados do Hran existe há 20 anos no Distrito Federal. O ministro expressou admiração sobre a qualidade do atendimento e garantiu a habilitação. “Nos próximos dias vamos receber a documentação. Este é um movimento muito importante para a sociedade brasileira”, disse.

“Aproveito a ocasião para pedir também o apoio no alerta à população sobre a importância do exame do palato no momento do nascimento e, com isso, ter identificações mais precoces”Lucilene Florêncio, secretária de Saúde

O ambulatório destaca-se pela excelência no tratamento oferecido pela equipe interdisciplinar de 17 profissionais. Além de cirurgiões plásticos, cirurgiões dentistas e fonoaudiólogos, o hospital conta com psicólogos, médicos pediatras, otorrinolaringologistas, nutricionistas, dentistas, enfermeiros, técnicos em enfermagem e voluntários da área administrativa.

De acordo com o ministro Swedenberger Barbosa, que conheceu o trabalho referenciado do Hran também na especialidade de fissuras labiopalatais, “nos próximos dias vamos receber a documentação (para habilitação do Hran). Este é um movimento muito importante para a sociedade brasileira” | Foto: Jhonatan Cantarelle/Agência Saúde-DF

Para a secretária de Saúde, a habilitação permitirá ampliar ainda mais a assistência aos fissurados, cujo diagnóstico pode ser detectado ainda nos primeiros dias de vida do bebê. “Aproveito a ocasião para pedir também o apoio no alerta à população sobre a importância do exame do palato no momento do nascimento, e com isso ter identificações mais precoces.”

Tratamento

No Brasil, dados da Organização Mundial de Saúde (OMS) indicam que a cada 650 crianças nascidas, uma é portadora de fissura labiopalatina. As causas envolvem fatores genéticos e ambientais, que podem atuar isolados ou em associação. O tratamento do paciente com a condição inicia-se desde o nascimento e segue até a vida adulta, passando por várias etapas e profissionais especializados.

Vanessa Neres descobriu a condição da filha Nathalia Neres ainda durante a gravidez e, desde então, realiza o tratamento da filha no Hospital Regional da Asa Norte | Foto: Divulgação/Agência Saúde-DF

Segundo o médico e coordenador do Serviço Multidisciplinar de Atendimento aos Fissurados do Hran, Marconi Delmiro, o tratamento é prolongado e exige ao menos duas intervenções cirúrgicas nos casos mais simples. “Já os mais complexos necessitam de, no mínimo, cinco operações. A primeira é feita a partir dos seis meses de vida e, a segunda, deve ocorrer por volta de um ano e meio de idade”, explica.

Atualmente, o atendimento para pacientes com fissuras labiopalatais é realizado no ambulatório do Hran, todas as segundas-feiras à tarde. O sucesso do tratamento e a reabilitação dos usuários depende significativamente de uma abordagem multidisciplinar, além do envolvimento da família com os profissionais de saúde.

Um exemplo desse sucesso é o caso de João Miguel, de apenas 7 anos, que passou pela cirurgia aos oito meses de idade e continua sendo acompanhado por psicólogos e fonoaudiólogos. A mãe dele, Alana Azevedo, 31 anos, trabalha como esteticista, e expressa profunda gratidão pela equipe do hospital. “Ele recebe todo apoio e hoje parece que não tem nada”, afirma, demonstrando felicidade com a evolução do tratamento.

Já Natália, de 13 anos, realizou a cirurgia com um ano e, desde então, recebe acompanhamento psicológico, além de fisioterapia semanal. A mãe dele, Vanessa Neres, 32 anos, relata que buscou atendimento imediatamente após descobrir a condição da filha em um exame de ecografia morfológica realizado ainda durante a gestação. Para ela, o suporte da equipe multidisciplinar foi essencial, mesmo que a condição já fosse conhecida na família.

O que é a fissura palatina?

As fissuras labiopalatinas são as malformações congênitas mais comuns entre as que ocorrem na cabeça e no pescoço. Estima-se que, no mundo, ocorra um caso de fissura a cada 700 nascimentos, segundo Delmiro.

A malformação decorre de causas multifatoriais e a predisposição genética é uma delas. A ocorrência é maior na população asiática, seguida pela população europeia e sul-americana, sendo menos frequente em afrodescendentes. Segundo a Secretaria de Vigilância em Saúde do Ministério da Saúde, a desnutrição materna, a obesidade e o consumo de tabaco e de álcool durante a gestação são fatores de risco importantes.

Serviço

As consultas no Serviço Multidisciplinar de Atendimento aos Fissurados podem ser agendadas às segundas-feiras, das 14h às 18h, no corredor laranja do ambulatório do Hran. Nesse dia da semana, também se concentra grande parte dos atendimentos oferecidos aos pacientes em tratamento.

*Com informações da SES-DF

Compartilhe:

Alvaro Maciel

Deixe um comentário

Abrir o Chat
1
💬 Precisa de ajuda?
Olá!
Podemos te ajudar?
Pular para o conteúdo