Leitos exclusivos para detentas são inaugurados no Gama

Leitos exclusivos para detentas são inaugurados no Gama

São três acomodações instaladas em uma sala de 36 metros quadrados, preparadas para garantir serviços de assistência de saúde às pacientes

Catarina Loiola, da Agência Brasília | Edição: Saulo Moreno

A primeira ala hospitalar exclusiva para detentas da Penitenciária do Distrito Federal começou a ter atendimentos nesta segunda-feira (22). São três leitos instalados no Hospital Regional do Gama (HRG), em um espaço de 36 metros quadrados batizado como “Abelhinha”. O local foi reformado pelas secretarias de Saúde (SES) e de Administração Penitenciária (Seape).

‌Todo o trabalho foi feito entre fevereiro e este mês. “A sala estava sendo utilizada de outra forma. Entramos com a mão de obra do projeto Mãos Dadas, formada por detentos em cumprimento de regime semiaberto que já têm permissão para trabalhar durante o dia sob escolta, e os materiais foram fornecidos pelas duas secretarias”, explicou o chefe do gabinete da Seape, Elton Fontenele de Lima, durante a sessão solene de inauguração.

“Conseguimos criar a ala de forma que seja prestada a assistência devida tanto para as custodiadas quanto para os policiais penais”Adma Migliavacca, superintendente substituta de Saúde da Região Sul

‌O ambiente segue os padrões de atendimento das detentas, com grades nas janelas e na entrada. Além dos três leitos, há uma antessala para escolta e uma área de repouso – com camas e armários, copa e banheiro exclusivo para policiais penais. As detentas internadas também terão acesso a um banheiro próprio, munidos de acessibilidade, e há a estrutura para a instalação de leito neonatal, caso necessário.

‌“Poderemos fornecer todos os atendimentos relacionados à saúde da mulher, que são suportados pela equipe de assistência à saúde lotada no Hospital do Gama”, explicou o representante da SES, também presente na solenidade, Thiago Martins.

‌A superintendente substituta de Saúde da Região Sul, Adma Migliavacca, observou que a ala foi instalada no HRG devido a localização próxima ao presídio feminino. Também pontuou as dificuldades enfrentadas na ausência dos leitos exclusivos.

‌“Antes, tínhamos que bloquear um quarto inteiro para fazer o atendimento de uma única detenta. E não havia a estrutura adequada para o atendimento das custodiadas e nem para a permanência dos policiais penais, durante a internação das pacientes”, rememorou Migliavacca. “Conseguimos criar a ala de forma que seja prestada a assistência devida tanto para as custodiadas quanto para os policiais penais”, completou.

De acordo com a juíza titular da Vara de Execuções Penais do DF, Leila Cury, o novo espaço permitirá maior organização ao ambiente hospitalar, evitando estigmatização das detentas e insegurança dos demais pacientes

‌Nesta segunda-feira (22), haviam 558 internas recolhidas no presídio feminino e, desta forma, elegíveis para o atendimento hospitalar na ala exclusiva. A custodiada a ser atendida no novo espaço recebe assistência ginecológica e não tem previsão de alta.

‌“Essa paciente estava em um local de internação que poderia ser utilizado por outras pessoas e, agora, está no local exclusivo. Então, poderemos melhorar o uso do espaço que temos, com mais segurança para as custodiadas e para a policiais penais”, comentou a diretora do HRG, Priscila Espíndola. Segundo ela, os leitos serão ocupados por detentas vindas diretamente do presídio feminino e também de outras unidades de saúde.

‌Segurança

Para a juíza titular da Vara de Execuções Penais do DF, Leila Cury, o novo espaço permitirá maior organização ao ambiente hospitalar, evitando estigmatização das detentas e insegurança dos demais pacientes. “Quando uma pessoa presa é internada na mesma ala que a população em geral, há um tensionamento para elas, que comparecem algemadas e acabam sendo estigmatizadas, e para a população em si, que se depara com um policial armado e se assusta, se sente insegura. E a ala exclusiva evita que essas situações aconteçam”, disse.

O promotor de justiça do Núcleo de Controle e Fiscalização do Sistema Prisional (Nupri), do Ministério Público do Distrito Federal e Territórios, Márcio Wagner, acrescentou que a medida também “resolve grande parte das demandas de acesso à saúde, e promove maior segurança ao transporte das pacientes, com maior agilidade entre a penitenciária e o hospital de atendimento.”

‌O DF conta com outras três alas hospitalares exclusivas para custodiados do sistema penitenciário, localizadas no Hospital de Base e nos hospitais regionais da Asa Norte e do Paranoá. Desde janeiro, 273 internos – homens e mulheres – precisaram ser internados e foram escoltados pelo efetivo de segurança penal.

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Alvaro Maciel

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