Apreensão de vinhos no Paraná cresce 3.206%

Apreensão de vinhos no Paraná cresce 3.206%

Durante todo o ano de 2021, foram apreendidas mais de 56 mil garrafas de vinho no Paraná, segundo dados da Polícia Rodoviária Federal (PRF). Pelas contas da corporação, se empilhadas em fila única, a altura das garrafas equivale a dois montes Everest, ponto mais alto do mundo que tem 8.849 metros.

De acordo com balanço da PRF, em quatro anos, houve aumento de 3.206% na quantidade de garrafas de vinho apreendidas no Paraná.

Aumento de apreensões de vinhos no decorrer dos anos:

  • 2018: 1.700 garrafas
  • 2019: 3.937 garrafas
  • 2020: 22.737 garrafas
  • 2021: 56.254 garrafas

O crescimento nas apreensões, segundo a corporação, é reflexo do aumento da fiscalização.

Rota de tráfico

A PRF detalha que a maior parte dos vinhos apreendidos no estado veio da Argentina pela região fronteiriça do município de Barracão, sudoeste do estado.

Lá, de maneira rápida, é possível chegar facilmente a Argentina, na cidade de Bernardo de Irigoyen, ou a Santa Catarina, no município de Dionísio Cerqueira.

“A localização geográfica e a tênue linha de fronteira terrestre, fazem do local a principal porta de entrada ilegal dos cobiçados vinhos argentinos”, explicou a corporação.

Crime

Segundo a PRF, as garrafas apreendidas se encaixam no crime de descaminho, que segundo o Código Penal é uma contravenção relacionada ao não pagamento do imposto devido de produtos com comércio autorizado.

A pena é reclusão de 1 a 4 anos, além de multa. A sanção se aplica em dobro se o crime de descaminho for praticado em transporte aéreo, marítimo ou fluvial.

Quem vende ou adquire produtos originários de descaminho, segundo o Código Penal, também está sujeito à pena e pode responder judicialmente.

Rotas

Segundo policiais que atuam no combate a ação de contrabandistas, vinhos argentinos têm três possíveis destinos finais após entrarem no estado.

Uma dos locais citados é Curitiba, onde os produtos abastecem o varejo local. Há comércio, ainda, do Paraná para São Paulo, ou do Paraná para Santa Catarina.

“Isso não significa que os receptores finais da mercadoria sejam apenas estes lugares, pois os mesmos podem funcionar apenas como centros de distribuição”, detalhou um policial.

A polícia detalha que o perfil dos contrabandistas mudou nos últimos anos. Atualmente, os atos ilegais são cometidos por donos de comércios de vinhos e grandes quadrilhas organizadas.

Valores

Segundo informações da Receita Federal, o descaminho de vinhos argentinos é motivado pela desvalorização da moeda argentina frente ao real. Garrafas de contrabandistas podem ter valor de venda até 72% menor do que as vendidas por importadores regularizados.

A polícia exemplifica:

Garrafas de vinho que são compradas na Argentina por R$ 30, na cotação do câmbio paralelo, são vendidas pelos contrabandistas a R$ 150.

No mercado regulado, os mesmos produtos são comercializados por valores que variam entre R$ 350 e R$ 800.

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Alvaro Maciel

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