7 filmes inteligentes na Netflix que vão fazer sua cabeça explodir

7 filmes inteligentes na Netflix que vão fazer sua cabeça explodir

Se a natureza humana nunca valeu grande coisa para muitos, percepção que se agudiza ainda mais em tempos de situações extremas como as que temos vivido, tanto pior quando nos damos conta do quão perdidos estamos nesse mundo cada vez mais hostil, girando eternamente em meio a quase meio trilhão de outros corpos celestes. O homem desenvolve invenções revolucionárias — a exemplo do próprio cinema — empreende negócios mirabolantes e lucrativos, dedicou-se a pesquisar e descobrir novos medicamentos para males cujo desaguadouro era a morte certa e outros que vieram com a evolução mesma do gênero humano, mas continua a se sabotar e se autodestruir. A ciência, a medicina, a arquitetura e, claro, a arte seguem seu propósito de aperfeiçoar a outrora chamada raça humana, mas neste momento diversas nações travam guerras — muitas vezes contra seu próprio povo —, a distribuição de renda é um escândalo por si só e muita, mas muita gente sequer tem o que comer. Ou seja, o homem continua irredutível naquele que parece ser seu projeto maior: ser seu próprio lobo.

A desdita do homem sobre a Terra é tamanha que pode-se até chegar a uma espécie de ranking em que figuram suas agonias de acordo com a natureza de seu sofrimento. Os dramas da humanidade se dividem em duas categorias bastante prolíficas: os individuais e os coletivos — e, por mais desesperador que possa soar, estes se sobrepõem àqueles, afinal para que tenha o direito a sofrer, o ser humano precisa antes de mais nada respirar, comer, dormir, isto é, viver e garantir as condições necessárias a fim de seguir existindo. Analisando-se o tratamento que damos ao planeta, é perfeitamente razoável supor que não iremos muito mais longe. É como se a absoluta maioria dos indivíduos tivesse chegado à conclusão de que o fato do homo sapiens ser a espécie mais desenvolvida a habitar a esfera terrestre lhe faculta o direito de dispensar ao meio em que vive a mesmo desleixo com que administra sua própria casa, suas relações pessoais, seus sentimentos. Como no fundo somos todos um mesmo organismo interdependente, que se alimenta, se imuniza dos agressores microbiológicos e tenta se perpetuar valendo-se de um mecanismo em comum, o homem se adoece e também faz o ambiente enfermo.

O cinema sempre soube muito bem catalisar as graves questões da vida em sociedade, mas não para pretensiosamente oferecer soluções mágicas, fáceis e decerto erradas para problemas reais, complexos e que demandam toda a sorte de estudos e pesquisas das estrelas mais brilhantes da constelação científica. O que os filmes se propõem a fazer é usar imagens, belas, impactantes, persuasivas, no intuito de levar o espectador à reflexão, uma metodologia que funciona com muito mais eficácia e atinge muito mais gente e de maneira concomitante. A Bula entende que essa natureza imagética do cinema, que une beleza a pensamento, coração a cérebro, sentidos a razão, pode salvar o homem de si mesmo, proporcionando-lhe a oportunidade de rever conceitos arcaicos mediante a precisão de seus argumentos, sempre muito mais suaves que a realidade em si. O grande destaque da nossa lista, por óbvio, não poderia deixar de ser a comédia apocalíptica “Não Olhe para Cima” (2021), em que Adam McKay elabora o cenário mais patético que consegue para discorrer sobre temas como obscurantismo, negacionismo, o perigo das redes sociais, o desenvolvimento tecnológico irrefreável, as reviravoltas do clima, a futilidade de pessoas que se pensam célebres, ou seja, a vida no século 21 antes que o homem consiga dar fim a tudo isso acabando com o próprio mundo. Já no suspense raiz “Ilha do Medo” (2010), Martin Scorsese apresenta o dilema de um investigador quanto a esclarecer um homicídio mimetizando ele mesmo a conduta de um assassino perverso. “Não Olhe para Cima”, “Ilha do Medo” e mais cinco títulos, todos na Netflix, falam dessas desesperanças tão humanas, tão nossas, em produções que são um verdadeiro banquete para os olhos, da mais recente para a lançada há mais tempo.

  • Não Olhe para Cima (2021), de Adam McKay
  • Pieces of a Woman (2020), Kornél Mundruczó
  • Okja (2017), de Bong Joon-ho
  • O Cidadão Ilustre (2016), Gastón Duprat e Mariano Cohn
  • A Garota Dinamarquesa (2015), Tom Hooper
  • Ilha do Medo (2010), Martin Scorsese
  • Memento (2000), Christopher Nolan

 

POR GIANCARLO GALDINO

Do revistabula.com.br

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Alvaro Maciel

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